Singularidade Consciencial: O Lado Extraordinário do Líder

Por Fabio Marques e Simone Zolet

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Você tem coragem de ser autêntico?

Em nossos atendimentos de liderança costumamos nos deparar com 2 perfis de líderes: os que possuíam receio em se assumir de modo integral – e se encontravam em evidente subnível em relação ao seu verdadeiro potencial – , e os mais destemidos, que enfrentavam os desafios e aplicavam por inteiro esse potencial, sem se paralisar com a possibilidade do erro ou se preocupar excessivamente com o julgamento dos outros.

Infelizmente notamos grande prevalência do primeiro perfil em relação ao segundo. Eram pessoas com grande potencial, mas algo às prendia.

A assunção da singularidade pessoal, ou seja, da capacidade de assumir a sua particularidade ou originalidade, pode parecer tarefa simples quando abordada do ponto de vista teórico. No entanto, na prática, a aplicação deste princípio pode entrar em choque com crenças pessoais e certos contextos mesológicos. Falar o que pensa pode gerar mal-estar.

Se você quer assumir a liderança sobre a própria vida, aumentar o nível de assistência e de fato ajudar os outros, ser transparente é fundamental. Toda ajuda mais efetiva aos outros envolve um grau maior de franqueza, mesmo que tal franqueza seja acompanhada de algum grau de desconforto mútuo.

Ser transparente é ser autêntico, natural, sincero, aberto com as pessoas. É não ter medo de ser quem você é. É não temer o julgamento do outro. É abrir mão da tentativa de parecer algo que você não é. É abrir mão de querer estar sempre certo. É permitir-se errar.

Uma de nossas pesquisas anteriores à singularidade consciencial foi sobre o incômodo. Observamos grande incidência de pessoas que deixavam de expressar as próprias opiniões em diversos contextos, com receio de contrariar os outros.

Mas afinal, por que isso ocorria? Se estavam insatisfeitas com algo, por que não falavam? Por que optavam em ficar incomodadas e contrariadas com algo ao invés de serem autênticas?

Notamos que essas pessoas possuíam a crença de que, se fossem autênticas em suas relações, acabariam perdendo as amizades, se afastariam dos atuais amigos e ficariam sempre sozinhas. Optavam então por corresponder a uma suposta “expectativa” dos demais, ao invés de serem verdadeiras. Passaram a viver um teatro social. Uma vida pautada pelo socialmente correto, tendo como norte os valores e acordos implícitos dos grupos de convívio mais próximo. Seu receio de serem mal vistas pelos outros ou até mesmo “abandonadas” pelo grupo às faziam permanecer nesse teatro, o que gerava desgaste e conflitos íntimos.

Sim, conflitos íntimos! A dificuldade em aceitar-se e expressar-se de modo autêntico, sendo coerente com valores pessoais reais, gera conflito íntimo inevitável, pela oposição de duas forças básicas: o verdadeiro “eu” de um lado versus o ator, ou seja, o que se pretende “parecer” para os outros.

E você, costuma mudar de opinião conforme a opinião do grupo?

Tende a adotar discurso diferente para cada público?

Qual o seu nível de coerência?

Toda heteroautenticidade tem início na autenticidade consigo mesmo. Para que sejamos autênticos com os outros, precisamos, antes de mais nada, sermos autênticos com nós mesmos.

GANHOS EVOLUTIVOS

Assumir quem você é, de fato, gera uma série de ganhos. Listamos 18 benefícios relacionados à assunção da singularidade consciencial:

  1. Aproximação dos grupos do passado. Ao assumir a singularidade consciencial e tornar-se mais parecido consigo mesmo, você aumenta o rapport com grupos do passado multiexistencial e amigos do curso intermissivo.
  2. Autoanticonflitividade. Ser autêntico consigo mesmo e com os outros leva a uma redução dos autoconflitos. Você não precisa mais ser um “ator”, não precisa mais “representar” um personagem. Isso dá um alívio enorme.
  3. Pacifismo. Aconquista da autoanticonflitividade, ou seja, a redução dos conflitos íntimos, gera pacificação íntima, o que aumenta a capacidade de atuar, como minipeça, na redução de conflitos grupais.
  4. Interassistencialidade. A redução dos autoconflitos predispõe à interassistencialidade. A pessoa já não está tão absorvida com os problemas pessoais e pode se dedicar mais aos outros.
  5. Abertismo Consciencial. Ocorre também o abertismo consciencial, a consolidação da real empatia e a compreensão do paradireito.
  6. Autoridade consciencial. A verbação, ou seja, ser o exemplo do que fala, ajuda a libertar os outros.
  7. Traforismo. O reconhecimento do melhor em si serve de estímulo a reconhecer também o melhor no outro.
  8. Fraternismo. A autopacificação íntima aliada à autoaceitação sincera ampliam a autoestima sadia e o bem-estar incondicional. A assunção da Singularidade, cedo ou tarde, leva a redução dos autoconflitos. Ao se tornar menos bélica consigo mesma, tende a ser mais benévola com os outros.
  9. Força presencial. Aumento da força presencial advinda da assunção, sem receios, da real identidade consciencial. A não preocupação com o que os outros vão pensar. A conquista da inabalabilidade pessoal e vivência teática do autoexemplarismo. A coragem em fazer o que precisa ser feito.
  10. Inovaciologia. O abertismo pessoal para a inovação. A ousadia em inovar. Assumir a singularidade consciencial é, por si só, a assunção íntima da unicidade pessoal. Ninguém é igual a ninguém. Ao aproximar-se de si mesmo e ousar ser autêntica, a consciência fica mais predisposta a contribuir com ideias originais.
  11. Libertação do medo. Ao ousar ser genuína, a consciência experimenta o sentimento de autolibertação. Sem autoconhecimento para saber quem é de fato, autoconfiança para seguir em frente e autoestima para reconhecer seus méritos, a consciência fica subordinada àquilo que não é.
  12. Naturalidade na manifestação. Sentimento íntimo de autoaceitação e ausência de preocupação em passar uma imagem idealizada de si mesmo aos outros.
  13. Liderança interassistencial. Vivência da liderança multidimensional e interassistencial com base nos autotrafores.
  14. Paciência. A autoaceitação sincera conduz, inevitavelmente, à maior compreensão e respeito ao outro.
  15. Minipeça interassistencial. O auto e heterorespeito sincero aliado ao autorreconhecimento e aplicação dos autotrafores otimizam a atuação conjunta com as equipes intra e extrafísica nos processos interassistenciais.
  16. Felicidade íntima consolidada. A certeza de estar no caminho certo, independente do que os outros digam.
  17. Vivência das sincronicidades. Abertismo e leveza de viver a vida propiciando maior percepção das sincronicidades no dia-a-dia.
  18. Otimização na execução da proéxis. Alinhamento natural com a programação de vida pessoal e grupal em função da aplicação dos autotrafores, da autofranqueza, do destemor cosmoético e otimização da liderança interassistencial. É o caso do líder que apoia o melhor no outro, sem melindres nem interesses secundários.

DESAFIOS

Em nossas pesquisas encontramos crenças irracionais que limitavam a atuação de pessoas em condição formal, ou não, de liderança. Eis algumas delas:

“NÃO SOU BOM O SUFICIENTE. EXISTEM PESSOAS MUITO MELHORES DO QUE EU PARA ESTA FUNÇÃO.”

“PRECISO PISAR EM OVOS NESSE GRUPO. SE EU DISSER O QUE REALMENTE PENSO, PODEM ACHAR QUE ESTOU AFRONTANDO O LÍDER FORMAL”.

“SE NÃO SEGUIR À RISCA O MODELO DE LIDERANÇA QUE PERCEBO NESTA INSTITUIÇÃO, NUNCA PODEREI ASSUMIR FUNÇÃO DE MAIOR DESTAQUE NESSE GRUPO”.

“PRECISO ESCONDER MINHAS FALHAS. SE AS DESCOBRIREM, PERDEREI A AUTORIDADE ENQUANTO LÍDER.”

“SE EU FOR MUITO SIMPÁTICO E ME APROXIMAR DA EQUIPE, CERTAMENTE PERDERÃO O RESPEITO POR MIM.”

Mas afinal, o que são crenças irracionais? São ideias ou premissas equivocadas que guiam nossas ações. Como são equivocadas, tendem a gerar efeito contrário ao esperado. Um líder que esconde as próprias falhas com receio de ser mal visto no grupo tende a ficar cada vez mais inseguro. Além disso, tal postura tende a criar uma ambiente de escondimento e desconfiança.

ASSUMA A SUA SINGULARIDADE

A dinamização da proéxis grupal ou maxiproéxis é resultado do somatório das características ímpares de cada indivìduo. Ao assumir a singularidade consciencial, a consciência poderá contribuir muito mais com seu grupo evolutivo e dinamizar a execução da proéxis pessoal.

No contexto da liderança, o que importa, de fato, não é o papel intrafísico, mas sim, o parapapel ou a identidade interassistencial extrafísica assumida. Não devemos esperar a chancela externa pautada em cargos e funções para nos tornarmos líderes e fazer o que viemos fazer. No contexto multidimensional, a liderança independe de nomeações, títulos ou da posição intrafísica ocupada pela conscin. Ela tem maior relação com posicionamento íntimo, intencionalidade sadia voltada para o que precisa ser feito e coragem intraconsciencial. Assumir a condição de líder depende de decisão íntima da própria consciência em ser líder de si mesma e contribuir, positivamente, através de suas ações, com maior número de consciências.

A assunção da Singularidade, cedo ou tarde,

leva a redução dos autoconflitos.

Ao se tornar menos bélico consigo mesmo,

você tende a ser mais benévolo com os demais.

 

Bibliografia:

. Marques, Fabio & Zolet, Simone. Singularidade Consciencial: o Lado Extraordinário do Líder. Revista Conscientia, 143 – 154, abr./ jun. 2014.